quarta-feira, dezembro 22

eu Eu

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Um animal em parto ou que abati?
Um raio que se apressa a romper ou se lança atraído?
Uma porta trancada ou que leva à varanda?
Movimentos de assalto ou gentil intenção?
O querer que se quer ou o que exagera?
Sou troca justa ou um furto sínico?
Cores ou dia nublado?

Amo e abato
Corrompo e desejo
Vou aos mais belos lugares. Me fecho.
Atinjo e amparo.
Quero. E também quero mais.
Pondero. E não peço licença.
Cores... Precisam de luz! Tenho música.

Que fome é essa que me faz sair às minhas buscas? Estará sempre a frente de ser o bastante. E nada terminará hoje ou com um sorriso só por ser positivo.
Nada termina assim... Nada nem termina. Mesmo o dia que se espera, que chega e que passa.

Que fome é essa que sou?
Um animal que sobrevive ou que evolui?
Eu sou tudo. E assim, o desagrado também sou.
Não escapo a essa natureza.









Quadro "Mulher em frente ao espelho" - 1932,
Pablo Picasso



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quarta-feira, dezembro 8

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Foto premiada no "The Digital Camera Photographer of the Year 2010".







"Boa fotografia mostra para as pessoas lugares e coisas que elas não poderiam ver elas mesmas.
Ela tem ação, energia, ótima composição e deixa aquela pergunta no ar: o que está acontecendo aqui?
A foto fica mais incrível cada vez que olho para ela."










Martin Keene, editor de fotografias da Press Association.




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domingo, novembro 28

Sonho.

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Lugar revisitado com sensação de ter voltado à casa de um bem distante.
Coisas a fazer lá com importância distribuída entre rostos familiares não conhecidos.
Se vestir, comer e dividir as notícias das vésperas de onde se vem.
O tempo acontece numa parte de noite e tudo brilha ardente e suave como felicidade de reencontros saudosos.
Sorrisos que abraçam e desejam um amor tão próximo que ensinam ao seu próprio.
Conforto de ser guiado para fins simples que vão servindo pra sempre.

Despertar com o esforço de trazer aquela consciência junto comigo. Mas não resta muito além de sensações, vultos em fade out e a certeza de que tudo aconteceu.









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quarta-feira, novembro 24

Diva

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Se tivesse de eleger o meu Deus, glorificaria a música em minha adoração.

Capaz de realizar milagres quando é simplesmente sentida. De uma redenção bem vista nos semblantes, já desde recente entrega.
Tem poder sensível que não exclui, bastando viver.
A vejo isenta de referências, liberta de qualquer causa, vasta de infinitude. Nem som, nem beleza, nem o comunicante peso das palavras. É mais.
A vejo como co-habitante da alma onde a nós faz ecoar o infinito dentro, elevando a imaginação.
O que justifica a existência desde sempre. Liga os universos todos e os seus mundos sem qualquer tempo.
A vejo como a legítima intuição. A complexidade acessível como porta aberta para um labirinto vivo. E concebe a vida como sendo das suas últimas novidades.
Está em tudo, mesmo no silêncio e no vazio. Mesmo nunca a sabendo.






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quarta-feira, novembro 10

Sinto

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Efeitos “de ilusão” chegam na alma retumbantes , vibrando pra todo o corpo a ponto de fazer tremer, chorar, sentir sono.
Sem vinganças o pensamento cai na real e coloca a razão frente a frente com a emoção.
O diálogo mudo é como se fosse uma grande guerra de mil sinos de catedrais com seus sons de metais que atordoam e preparam a rendição de um corpo e alma cansados por não conter esse tamanho todo de descontrole.
Como um desmaio, tudo isso existe mas deixa de ser percebido.
O pensamento foge pra onde só se quer estar e desse refúgio não cansa de voltar. Basta um segundo pra muitas dessas viagens.
Segue Indo e vindo durante um tempo somente definido em cada um.
É nesse caminho onde se deixa de temer o que já se sabe que se tem de enfrentar.
E isso tudo só basta quando o esgotamento se torna um tipo de costume.
Alcançar mudança de pensamento pelas vias da desilusão é um exercício cruel!
As boas lembranças quando acessadas cobram um certo preço. Mas daí já se mudou e se torna óbvio o calo presente ali naquele lugar!
Nasce então um tipo de maturidade a custo de vida ...dessas que não se consola, só se aguarda doente, com lágrimas densas, vácuos e tempo. Nasce lá, no mesmo lugar do peito onde está o ensinamento a custo de dor. O lado esquerdo!























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sábado, outubro 9

Mais amor

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O amor é um grande laço, um passo pr'uma armadilha
Um lobo correndo em círculos pra alimentar a matilha
Comparo sua chegada com a fuga de uma ilha:
Tanto engorda quanto mata feito desgosto de filha

O amor é como um raio galopando em desafio
Abre fendas cobre vales, revolta as águas dos rios
Quem tentar seguir seu rastro se perderá no caminho
Na pureza de um limão ou na solidão do espinho


O amor e a agonia cerraram fogo no espaço
Brigando horas a fio, o cio vence o cansaço
E o coração de quem ama fica faltando um pedaço
Que nem a lua minguando, que nem o meu nos seus braços




Djavan



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quarta-feira, outubro 6

Quadro abstrato

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O grande e gracioso peixe de escamas peroladas e olhos de cristal está contornado por folhas e gavinhas por onde passeiam besouros solitários e preciosos em azul e vermelho, num cenário misto de flores desabrochadas e maduras frutas cítricas.
Uma grande roda gigante antiga e cansada de seus giros eternos, repousa sobre sua cabeça como uma coroa bem adornada em detalhes e curvas torcidas.
Acima o segue uma ilha flutuante de montanhas rochosas altas e adormecidas e que abriga uma paisagem de coqueiros e mata. Um balão arco-íris, em destino de passagem, paira no céu da ilha sobre as praias de areias brancas de lá.
Desce o céu e a ilha se desenrolando pela sua escada de cordas até o peixe.
Em alguns passos se fez o rastro de pegadas pelas areias seguindo adentro e voltando das matas até o extremo onde se finda.
As escadas, a altura e a roda gigante; assim estão o peixe e o balão presos aos seus céus e ao caminho até a roda gigante. Ali parado e o giro das cordas e das madeiras.
Entrando a roda, a pintura de outra época em amarelo e vermelho tem indicadas sua entrada e saída pela mesma catraca já enferrujada e fincada ao chão.
Revezam-se os degraus das cordas na ilha e na roda do gigante.
Sobe e desce a iluminação de alguém simples no seu mundo. Caindo das nuvens e do oceano. Das viagens e de onde tocou o chão. De jeans e verde adentra o sonho do peixe. Brinquedo de sua alma. Caminho das maravilhas a girar por sua vida.








Aquarela do artista e arquiteto Edgar do Vale.






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