Mostrando postagens com marcador eu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador eu. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, maio 21

Atrás

.





Sentido de lugar vazio
A queixa bruta, sem argumento
Óbvio que participa das dores enfim
Um ritmo. Um canto que se deixa levar
Na chuva
Até quando passar
Aquele rastro guardado
Resto desnudo
Vergonha comum
No convívio da noite
O que não sonha a certeza
Profundo espaço vasto de solidão
Caminho mais antigo
De muros derrubados
Lentas lástimas esquecidas pelas pétalas
Se movem no chão, no peito
Nos golpes e nas curvas, no desejo de resposta
Janelas entreabertas e seus espaços de luz
Frestas onde o querer espia inseguro
Sinal de fracas flechas atiradas para atingir, para ferir
Ponto de começo de próximo dia, de dia inteiro
Lençóis brancos estendidos, imóveis
Na cor da memória abatida
Páginas mudas
Escritas de ecos



Landeira












.

domingo, abril 1

Canto

.









Bastando-se só e se experimenta a primeira verdade.
A que ainda não se estendeu para os lados. Está contida em seu formato.
Em parte, um lugar desconhecido e em parte, zona de conforto.
O tronco expansivo por toda a vida. Despido de anéis em anéis até o centro; a voz; o movimento.
Dançar leve, chamar seu nome, respirar sem importância.
Jogar o corpo pra ver-se voar.
Olhar as mãos e ter resposta. Trazidas de longe; do alto; de depois de alcançar; sentindo mais do que se é.
E que canta criando a atmosfera do seu mundo; ou chama, para vir de dentro, o próprio eu.

                                                                                                                                    (Landeira)
                                                                                                                                                 









Artista - Tomaz Sanchez, "Aislarse"




.

quarta-feira, dezembro 7

Meu coração

.




Terra estranha onde se entrega o ouro aos sentimentos.
Quando os votos se dão por estações.
Onde do ser será percebido o outro.
Lugar das palavras mais pesadas. As que calam.

                                                         (Landeira)









.

sexta-feira, outubro 14

Não, dito.

.


E tudo diz não. Discordar é apenas a outra metade.
Minhas alegrias e sobressaltos vêm e são barrados na porta.
Observador, me guardo.
Adormeço em meus braços cruzados.
Sou eu comigo e no fundo as outras salas. Por todo lado, música, notícias, índios e idosos em atividades.
Tempos isolados nas suas questões que não sabem se já foram as do outro.
As decisões tomadas atrasam as que aguardam como o futuro espera enquanto não acontece.
E se nos pensamentos existe alguma determinação, que fique guardada lá; afinal, o acaso também existe.
Somos um e pouco nos representamos. Sabemos quem são todos melhor que nós.
Das metades que estão do lado de fora.
O que não aconteceu ou não chegou.
Tudo que existe no papel, no conto, na imagem pintada na tela.
Parte de tudo que não é além de possibilidade.
Parte do que fala mais de nós do que somos perfeitos.
E que me levam para além quando me calo depois que tudo diz não.

                                                                             (Landeira)















.

segunda-feira, agosto 1

Sou de mim

.


Alma além dos erros.
Distração além do remorso.
Natureza além da carne.
Que os olhos fecho para melhor me perceber.

Sou estes dedos além do pensar.
Calor além do abraço.
Fuga além das marcas.
Que me toco e me reconheço.



Me encontro além do lugar.
No que vejo... No que desejo...


                           (Landeira)







.

segunda-feira, junho 6

Confesso

.


A foto, o som, uma particular luminosidade, me desviam em suas qualidades. Assim eu sou bobo. E creio em Deus e no sol.

O pensamento me fala de outro tempo, outro espaço. Por vezes não entendo e se pertencer a mim, também às vezes parece não pertencer; como se em buscas próprias trouxesse coisas de fora, alheias a minhas ordens, de maneiras invisíveis.
Nele guardo o passo dado e a esperança. Guardo a mim e me encontro lá sozinho quando me chamo.

Enquanto vou, minha busca chega e correndo logo à frente estão minhas intenções.
A minha cautela tem freqüência errática, igual vôo de borboleta; anda trêmula de braços dados com a dúvida que balança meu equilíbrio.
Minha maldade sem forças pra resistir, vive de persistência.
Meu desejo de às vezes não estar aqui pode ser o meu mais profundo, mas sempre que olho pra ele, sinto meus pés pisando no raso.

Escrevo e gosto de palavras, saber dizê-las, entendê-las mesmo que dentro de minha própria sanidade. Falam sempre de perto como se tivessem do lado. Me sinto acompanhado.

Assim nascem meus fracassos: acredito poder mudar o mundo. Me vejo destacado e essencial. Eu, o primeiro convencido. E único. Assim falo por minhas ideias. Precisam sair e só saem se ditas. É inquietação.
De compreensão ao alcance; polidas e prontas para serem absorvidas; me contam que em minhas medidas tem algo que pode caber no mundo.
Me defendo achando graça e coleciono mais um fracasso até que eu veja em alguém qualquer delas e já sou muito mais feliz que triste.

Minha cara não muda se perco. Eu disfarço.
Minha cara muda quando saio do pensamento e esqueço do brilho, da cor e das palavras.
Se não me encontro, poderia ser qualquer coisa. Até ser triste.
E tristeza é ruim como preguiça de levantar, indisposição de explicar. Uma doença que deixa de cama, mas que em poucos dias vai passar. Como impaciência.


Sou bobo; outro dia inútil; outro dia, inofensivo e feio; outros sou falso, ou chato. Sou vários. Todos os dias sou eu. Mesmo os que sou menos eu. Nestes, com um “mas” e algo mais, me ressuscito e volto pra perto de mim, culpando meu coração por desmentir quem sou justo quando me pensava sabendo.
                                                                   (Landeira)






.

quarta-feira, dezembro 22

eu Eu

.










Um animal em parto ou que abati?
Um raio que se apressa a romper ou se lança atraído?
Uma porta trancada ou que leva à varanda?
Movimentos de assalto ou gentil intenção?
O querer que se quer ou o que exagera?
Sou troca justa ou um furto sínico?
Cores ou dia nublado?

Amo e abato
Corrompo e desejo
Vou aos mais belos lugares. Me fecho.
Atinjo e amparo.
Quero. E também quero mais.
Pondero. E não peço licença.
Cores... Precisam de luz! Tenho música.

Que fome é essa que me faz sair às minhas buscas? Estará sempre a frente de ser o bastante. E nada terminará hoje ou com um sorriso só por ser positivo.
Nada termina assim... Nada nem termina. Mesmo o dia que se espera, que chega e que passa.

Que fome é essa que sou?
Um animal que sobrevive ou que evolui?
Eu sou tudo. E assim, o desagrado também sou.
Não escapo a essa natureza.









Quadro "Mulher em frente ao espelho" - 1932,
Pablo Picasso



.

quarta-feira, julho 14

Com ciência

.







Preciso frear o carro.
Chegou o momento de falar com você.
Só a consciência é quem vai seguir agora.

Vamos sair daqui dessa roupa. Crus.
Só assim que se pode lembrar o vento.
Como vai tocar meu corpo? (Havia esquecido essa intimidade).
Bem, pergunto pra minha inteligência estúpida, carente da atenção dos livros depois.

Agora te vejo meu eu que nunca nasceu, mas que sempre foi o miolo da coisa toda.
Venha pra fora! Saia do seu átrio! O mundo é só um cômodo.

O nascimento acontece uma vez da mesma forma que cada idade.
Ambos são puramente descobertas.
Vai ter de tocar nelas e às vezes vai sangrar.





Venha aprender a julgar o belo.
Partir corações, Discordar dos pais, e brigar com os amigos. Nessas horas o amor cuida de você.
É preciso existir e não se preocupe; você não será percebido.
Apenas pelas árvores do passeio e pela grama pisada.
Vão te olhar e ver uma máscara, estará bem disfarçado de si mesmo.

Você vai gostar, só não se acostume a gostar; lembre que não dá pra voltar quando a coisa toda começa. Vai ter que ver o fim acontecendo e pode causar certo incômodo.
Melhor ser cauteloso.

Praticamente é sempre assim: Subida. Tempo gera experiência e experiência eleva sempre. Oxigênio, por motivos óbvios. E água, muita água. 1litro e ½ ao dia no mínimo.
O resto também tem de sobra. Supérfluo não falta lá fora.

Ah... Posso procurar em algumas gavetas, são elas que guardam os segredos.
Deve ter algum método guia esquecido pra te ajudar.
Vou precisar ascender a luz. Dói, mas é só apertar um pouco os olhos e a vista vai acostumar.

Nossa! Quantos brinquedos egoístas colecionados com devoção, eu bem devia saber que aqui estaria propício a isso mesmo, mas também sei que não se vence a surpresa quando ela vem. Pelo menos gostei daquele ali, o palhaço traído de riso gratuito.

Dentro do cômodo entupido de tantos anos passados;
Parede, chão e teto são o que mais se tem de cansado.
Ali só a janela se renova e é isso que você nunca entendeu. Mas é porque vem de fora pra dentro. Logo tudo estará esclarecido.

Vê-se o mundo, mas não dá vontade de sair eu sei. No começo é assim.
Mas as suas lembranças estão lá viajando e rápido.
passando sempre. Sua história também está por lá e infelizmente vai precisar de ambas. Não se existe sem a própria história e lembranças.

Infelizmente não encontrei o guia, mas lembro que lá dizia pra deixar tudo rolar. Ou será que escutei alguém dizer isso? Enfim... De qualquer forma, assim tenho feito algumas vezes e acredito que valeria pra você também.





E quando acontecer alguma coisa procure só assistir.
Participar quase sempre é mais caro e nem sempre compensa. Enquanto não souber avaliar, assista. Não se pode desperdiçar quando não se sabe o que tem.

E sim. Vai ter sempre de esperar tudo; tanto a vez, quanto a véspera.
Engraçado nunca foi, mas dá pra achar a graça de repente.

Partir sempre obriga carregar muito e perder algo. Nada que impeça de atravessar os lados.
Vamos hoje, te acompanharei até na solidão.
Vamos hoje, mesmo eu não tendo dormido direito.
Não estou reclamando, mas desculpe se me tornar um pouco ausente pelo cansaço de algum momento; além do mais, o pensamento me chama a atenção pras coisas de lá do lado de fora.

Uma última coisa; grita! Dança! E corre sempre que puder; é um bom sinal pra encontrar seu rumo. Não se vai apenas caminhando e pra tudo isso também existe estrada. Segue, segue e segue mesmo que lhe falte a sorte.
Lembro bem que veio dela todo o motivo da tristeza do nosso palhaço traído. Ainda assim ele nunca deixou de sorrir. Penso que a felicidade dispensa a sorte. Ela é dona de si e voa livre.
Tive que aprender isso antes de vir aqui te buscar.









.