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quinta-feira, novembro 22

Peixe nosso de cada dia

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Tem coisas tão perto
Não vê-las só é possível dando as costas
Não tocá-las, dando passos pra trás

Afasta-se

E é uma atitude antiga de esvaziar as mãos
Se desvencilhar sem sentir nostalgia
Tanto tempo ocupado correndo pra trás
Sem querer o mesmo tato, o mesmo trato
Crescendo em altura horizontal
Com os efeitos da altitude vistos pelo espelho, vistos no fundo do olho
Sem causar vertigens
Distância de um tempo longo


E como exploradores e seus cães farejadores
Continuam tão altos e distantes os olhos que não sabem mais de lá
Nem quando adormece e floresce
Nem quando se faz chover e se acorda o ritmo
O mundo de tão perto se cambia enquanto estou de costas

Mas como o nunca e o sempre se driblam por sorte e natureza
O perto sempre estará ali deitado pra mim desde os antigos sonhos
Distante nunca descanço e sempre se desperta um novo dia

Vejo o véu sobre o chão e não o chão
Não se encostam cores sem que nasçam outras
E piso o véu mas quero o chão
Quero chorar, e regar e quero trazer o olho aqui de novo
Me tocar e cuidar da minha parte querida
Perto





landeira









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sexta-feira, fevereiro 17

Sonho aqui

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Para que sonhos partir,
Quando os sonhos estão nas palavras?
Ao cedo? Ao gosto? A opção?
À frente?
A referir e sangrar em qualquer parte?
Mesmo que vingue?  Mesmo que desperte?
Até o possível? Até a verdade?
Mesmo que se queira sumir?
O melhor do mundo é a realidade.
Se foi sonho ou se não pensada.
O acontecimento. O pulso. A chegada. A volta.
Tempo e posição. Ponto cravado.

Logo vejo que fico.

                                                        (Landeira)






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domingo, novembro 28

Sonho.

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Lugar revisitado com sensação de ter voltado à casa de um bem distante.
Coisas a fazer lá com importância distribuída entre rostos familiares não conhecidos.
Se vestir, comer e dividir as notícias das vésperas de onde se vem.
O tempo acontece numa parte de noite e tudo brilha ardente e suave como felicidade de reencontros saudosos.
Sorrisos que abraçam e desejam um amor tão próximo que ensinam ao seu próprio.
Conforto de ser guiado para fins simples que vão servindo pra sempre.

Despertar com o esforço de trazer aquela consciência junto comigo. Mas não resta muito além de sensações, vultos em fade out e a certeza de que tudo aconteceu.









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quinta-feira, julho 1

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Acredite se quiser

Que...

"o Cavaleiro das luas e das estrelas
Abriu o céu, desceu e me ofertou
Um livro aberto na página brilhante
Que nesse instante uma poeira iluminada
me assustou
Falava de Andrômeda,
A dona da constelação do Escorpião,
Falou da outra estrela na ponta do Cruzeiro,
Falou das quatro luas
A nova, a que cresce, a cheia e a que diminui
Que a primeira, quando se esconde na escuridão,
é de mentira, pra nos tomar o coração
Me ensinou coisas que vi
E que nem são daqui





E, de repente, acordei com o ronco da trovoada"...











Gil e Milton




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quarta-feira, maio 12

na minha cabeça.

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E mais uma vez a sensação da realidade matizada acontece no meu infinito particular.
Não é saudade. Não é vontade. É uma sensação louca com sabor forte de instinto. Sinto-me mergulhado em mim entre todas as coisas que tem lá.
Como numa gelatina com cores do mundo e textura de pensamento.
Centelhas transitando sem pressa vem nascidas dos sinos; nascidas dos brindes; entre as chaves; na caixa de pregos; nas moedas do cego; nos intervalos nas flautas; dos jogos dos anjos e nas estrelas que se vê enquanto ainda é dia.
Movem-se aqui dentro entre os signos de minha mente.
Fazendo algumas daquelas cores brilharem num diálogo misterioso sobre coisas imperceptíveis.






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