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quinta-feira, novembro 22

Peixe nosso de cada dia

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Tem coisas tão perto
Não vê-las só é possível dando as costas
Não tocá-las, dando passos pra trás

Afasta-se

E é uma atitude antiga de esvaziar as mãos
Se desvencilhar sem sentir nostalgia
Tanto tempo ocupado correndo pra trás
Sem querer o mesmo tato, o mesmo trato
Crescendo em altura horizontal
Com os efeitos da altitude vistos pelo espelho, vistos no fundo do olho
Sem causar vertigens
Distância de um tempo longo


E como exploradores e seus cães farejadores
Continuam tão altos e distantes os olhos que não sabem mais de lá
Nem quando adormece e floresce
Nem quando se faz chover e se acorda o ritmo
O mundo de tão perto se cambia enquanto estou de costas

Mas como o nunca e o sempre se driblam por sorte e natureza
O perto sempre estará ali deitado pra mim desde os antigos sonhos
Distante nunca descanço e sempre se desperta um novo dia

Vejo o véu sobre o chão e não o chão
Não se encostam cores sem que nasçam outras
E piso o véu mas quero o chão
Quero chorar, e regar e quero trazer o olho aqui de novo
Me tocar e cuidar da minha parte querida
Perto





landeira









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terça-feira, agosto 7

Tardes no meu tempo

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Aos ventos que me sopraram canções
Melodias ofertadas ao tempo
E no peito recriando meus sentidos
Prazer bem vindo
Canto se fazendo
Tardes no meu tempo





landeira












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sexta-feira, maio 21

tarde verde

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A pouca luz do fim da tarde me direciona a quietude própria do que é sereno.
Me sento e observo o jardim silencioso que repousa diante de mim.
O vai e vem da brisa suspende o aroma leve e verde.
Um equilíbrio invisível acontece.
Ali, calado, me sinto parte dele; me sinto só.
Assisto de olhos fechados as lembranças saindo do passado.
Antigas gavetas de um tempo meu.
Os sons freqüentam em largos ecos. As cores são preguiçosas.
Volto aos poucos e ainda estou ali.
Por causa alguma.



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