sexta-feira, fevereiro 1

Considerações inúteis

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Por tudo que sentimos estão os sustos
os surtos estão quando queremos sentir
e parece que ser pessoa é correr distante de parecer com alguém
só as tristezas e sinas se assemelham eficazmente
felicidade não exige tanto e nem faz doer
é mais uma atitude egoísta de suprir o querer
ser pessoa é não ser nada que se deva considerar muito mais que a si
e se pauta o universo ao redor com precisão e autonomia
e é normal tudo dar errado, e é o caos uma justificativa plena
tentar faz diferença só pra consciência e pode ou não trazer sucesso mas só cabe um de cada vez
bom mesmo é pescar o que se consegue
seja peixe seja bota
tudo serve de arma, de comida ou de luto
compartilhar pode trazer perdas
compreender pode ser um problema pior para o que não está na situação
energia não alcança os valores de nada, interessante é comer
e melhor ainda que seja algo gratuito
gratidão nunca nasce em olhos que enxergam
e eu realmente não entendo nada disso





 landeira









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domingo, janeiro 27

Meu e teu

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Meu corpo nas suas mãos
seu semblante intenso de ainda procurar
nunca achar
a presença de minha alma flutuante
Meu corpo em seu resgate
sua mão é firme
não me escapo
preso a mim, seguro pelo chão
batida terra árida
espera chuva e não teu céu
espalhado em mim e em ti

Meu corpo em tua mão não toca os lábios
não sente o deserto vibrante do teu coração
grande carga quente
que me impede e agrava teu desejo de passar por mim
 
 landeira
 
 
 
 
 .

Ai

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Mastigo cada dia
Da reza musical
Até me rasgar
Fogo demais enxendo meu canto
Sem se saber
Fogo demais a curar a ilusão
Desatino comendo cada representação da realidade
Pedaços louvados nas penas ou dormidos
No partido tempo, no vindo tempo
Sentido cru





landeira
















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sexta-feira, janeiro 18

Percorrendo

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Ombros vestindo cabide
pendurada altivez cabisbaixa
atmosfera musical de deixar
tudo se escorrendo
dedos nos dedos
sentindo águas

e águas sempre correndo
uma visita debruçada de águas aos lodos
acelera as águas

quando estas não se empurram mais correntes

ardido é o coração e se empurra assim
e se vai levado de vontade
ah, se fosse além de filho
se fosse além de um rei

seria o verso tímido de cantar e então rezado
e todos seus sentidos praticados
gota a gota
até a ponta dos pés
desde os ombros pendurados






 landeira




 














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terça-feira, janeiro 15

Fingir

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Penso, penso, penso
assisto os olhos de quem me olha
penso igual e penso diferente
assisto a surpresa de quem me vê
palavras dos olhos são as que penso
sem saber quando reais
penso me atraindo para saltar
de cabeça sem sonho
batendo duro na quina
sem inventar, sem fingir




landeira













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quinta-feira, dezembro 20

Destes

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E não tenho lágrimas para falar destes
Caíram todas
Com os outros restos
Nuvens passadas sobre nós
Indo nelas os meus deuses
Tão longe destes e de mim
Agora assunto do canto e da flor
Em versos e jardins calados em si

Repouso para chamar a atenção destes
Até um outro dia de violência
De pensar concreto. De quebrar
Sentindo a agreção de ser feliz
E querer sentir descanso
Desistir dos arrependimentos
Hábitos que alimentam pouco
Não enrijecer
Coisas minhas, destes e de todo mundo

Raramente seguros do delírio de pensar amando

Teria uma prece em pedido destes
Afugentando de uma forma sacra as coisas ruins
Ouvir os sinos e metais
Fechaduras e metais
Vidros e metais
Sem tamanho de amor
Comigo do tamanho do querer

Boa cama de caminho
Seguindo assim
Vestir a beleza da natureza
Sinceridade destes
Por vir destes






landeira










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quinta-feira, novembro 22

Peixe nosso de cada dia

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Tem coisas tão perto
Não vê-las só é possível dando as costas
Não tocá-las, dando passos pra trás

Afasta-se

E é uma atitude antiga de esvaziar as mãos
Se desvencilhar sem sentir nostalgia
Tanto tempo ocupado correndo pra trás
Sem querer o mesmo tato, o mesmo trato
Crescendo em altura horizontal
Com os efeitos da altitude vistos pelo espelho, vistos no fundo do olho
Sem causar vertigens
Distância de um tempo longo


E como exploradores e seus cães farejadores
Continuam tão altos e distantes os olhos que não sabem mais de lá
Nem quando adormece e floresce
Nem quando se faz chover e se acorda o ritmo
O mundo de tão perto se cambia enquanto estou de costas

Mas como o nunca e o sempre se driblam por sorte e natureza
O perto sempre estará ali deitado pra mim desde os antigos sonhos
Distante nunca descanço e sempre se desperta um novo dia

Vejo o véu sobre o chão e não o chão
Não se encostam cores sem que nasçam outras
E piso o véu mas quero o chão
Quero chorar, e regar e quero trazer o olho aqui de novo
Me tocar e cuidar da minha parte querida
Perto





landeira









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