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sexta-feira, fevereiro 1

Considerações inúteis

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Por tudo que sentimos estão os sustos
os surtos estão quando queremos sentir
e parece que ser pessoa é correr distante de parecer com alguém
só as tristezas e sinas se assemelham eficazmente
felicidade não exige tanto e nem faz doer
é mais uma atitude egoísta de suprir o querer
ser pessoa é não ser nada que se deva considerar muito mais que a si
e se pauta o universo ao redor com precisão e autonomia
e é normal tudo dar errado, e é o caos uma justificativa plena
tentar faz diferença só pra consciência e pode ou não trazer sucesso mas só cabe um de cada vez
bom mesmo é pescar o que se consegue
seja peixe seja bota
tudo serve de arma, de comida ou de luto
compartilhar pode trazer perdas
compreender pode ser um problema pior para o que não está na situação
energia não alcança os valores de nada, interessante é comer
e melhor ainda que seja algo gratuito
gratidão nunca nasce em olhos que enxergam
e eu realmente não entendo nada disso





 landeira









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quinta-feira, novembro 8

Poesia faz

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A Poesia.
A vida toda do homem.
Da porta pra trás. De costas e de cara.
Se reza o dia acordando cada necessidade.
Não estão os sentidos pulsando mastigados na atenção?
Se portam simplesmente.
São atingidos e se portam.
Alguém indo.
É inteiro e parte.

O mínimo é só e inteiro.
O brilho é inteiro e só.
Quanto cabe de vontade?
De toda terra que ergue a natureza.
Exclusivo fazer.
A poesia que não finda.






landeira












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segunda-feira, outubro 10

Mar lágrima

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Mar lágrima que há tanto já navego.
Tanques e barris esgotados enquanto me leva.
Traz pra mais perto o que me ofertou.
Timbres impressos na pele. Outra nudez de espírito.
Lugares escuros em tons de amarelo na memória do meu corpo.
Brilhos e estrelas ressignificadas.
O que nunca quis.
Outro momento de voltar.

                                                                           (Landeira)




Pintura "Koniec Sezonu"
Kołpanowicz Marcin.




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quinta-feira, outubro 6

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Quisera eu outra tarefa de casa pra completar os afazeres domésticos.
Mas entro num túnel mesmo assim pra não ouvir o mundo.
Recordo minhas cenas preferidas.
Sou sem beijo e sem voar, mas sempre fumaça.
Ou sou eu a partida do trem, ou sou a noite densa em névoa, ou só penso.
Enquanto dirijo olho as mãos e as cabeças, e me vejo onde estou.
De passagem entre assobios indiferentes.
Partindo pra mais tempo.
De mais tempo me aguardar.
Até o fim quando no olho brilha a luz que chega.

                                                         (Landeira)



                                                                        



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quarta-feira, outubro 5

Entre nós

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Entre nós há fios
Há nervos e nuvens
Poeira de antigos fatos

Entre nós um caminho de palavras
Percorrido sem tradução
Dança vestida de canção

Entre nós, por aqui, brotam verdes sementes
Dias inteiros de mar e o presente a contar da vida

                             (Landeira)












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