sexta-feira, janeiro 18

Percorrendo

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Ombros vestindo cabide
pendurada altivez cabisbaixa
atmosfera musical de deixar
tudo se escorrendo
dedos nos dedos
sentindo águas

e águas sempre correndo
uma visita debruçada de águas aos lodos
acelera as águas

quando estas não se empurram mais correntes

ardido é o coração e se empurra assim
e se vai levado de vontade
ah, se fosse além de filho
se fosse além de um rei

seria o verso tímido de cantar e então rezado
e todos seus sentidos praticados
gota a gota
até a ponta dos pés
desde os ombros pendurados






 landeira




 














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terça-feira, janeiro 15

Fingir

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Penso, penso, penso
assisto os olhos de quem me olha
penso igual e penso diferente
assisto a surpresa de quem me vê
palavras dos olhos são as que penso
sem saber quando reais
penso me atraindo para saltar
de cabeça sem sonho
batendo duro na quina
sem inventar, sem fingir




landeira













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quinta-feira, dezembro 20

Destes

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E não tenho lágrimas para falar destes
Caíram todas
Com os outros restos
Nuvens passadas sobre nós
Indo nelas os meus deuses
Tão longe destes e de mim
Agora assunto do canto e da flor
Em versos e jardins calados em si

Repouso para chamar a atenção destes
Até um outro dia de violência
De pensar concreto. De quebrar
Sentindo a agreção de ser feliz
E querer sentir descanso
Desistir dos arrependimentos
Hábitos que alimentam pouco
Não enrijecer
Coisas minhas, destes e de todo mundo

Raramente seguros do delírio de pensar amando

Teria uma prece em pedido destes
Afugentando de uma forma sacra as coisas ruins
Ouvir os sinos e metais
Fechaduras e metais
Vidros e metais
Sem tamanho de amor
Comigo do tamanho do querer

Boa cama de caminho
Seguindo assim
Vestir a beleza da natureza
Sinceridade destes
Por vir destes






landeira










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quinta-feira, novembro 22

Peixe nosso de cada dia

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Tem coisas tão perto
Não vê-las só é possível dando as costas
Não tocá-las, dando passos pra trás

Afasta-se

E é uma atitude antiga de esvaziar as mãos
Se desvencilhar sem sentir nostalgia
Tanto tempo ocupado correndo pra trás
Sem querer o mesmo tato, o mesmo trato
Crescendo em altura horizontal
Com os efeitos da altitude vistos pelo espelho, vistos no fundo do olho
Sem causar vertigens
Distância de um tempo longo


E como exploradores e seus cães farejadores
Continuam tão altos e distantes os olhos que não sabem mais de lá
Nem quando adormece e floresce
Nem quando se faz chover e se acorda o ritmo
O mundo de tão perto se cambia enquanto estou de costas

Mas como o nunca e o sempre se driblam por sorte e natureza
O perto sempre estará ali deitado pra mim desde os antigos sonhos
Distante nunca descanço e sempre se desperta um novo dia

Vejo o véu sobre o chão e não o chão
Não se encostam cores sem que nasçam outras
E piso o véu mas quero o chão
Quero chorar, e regar e quero trazer o olho aqui de novo
Me tocar e cuidar da minha parte querida
Perto





landeira









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segunda-feira, novembro 12

Contorno

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Perto de mim raspa tamanha atmosfera de impressões que só me mantenho aquecido por conseguir me tocar


Entre a pele e o espelho sinto estar preenchido de olhos respirando minhas águas
Chegam com pressa e direcionados
Lentes barulhentas cortando minha atenção ao meio
Tiros dados como tangentes se desprendendo dos giros
Barulho de vozes arranhadas de hálitos desgostosos
Traspassando minhas janelas e portas sem visitar
Idas e vindas sem se anunciar
Transbordam, sobram e me atordoam
Sangram meus passos em tropeços


E me revolvo a me desregrar na movimentação dos atos
Me desprendem os desejos
Me desperdiçando já bem distante de onde era meu hábito e meu chão
Já bem distante de onde eu tinha me abandonado






landeira










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quinta-feira, novembro 8

Poesia faz

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A Poesia.
A vida toda do homem.
Da porta pra trás. De costas e de cara.
Se reza o dia acordando cada necessidade.
Não estão os sentidos pulsando mastigados na atenção?
Se portam simplesmente.
São atingidos e se portam.
Alguém indo.
É inteiro e parte.

O mínimo é só e inteiro.
O brilho é inteiro e só.
Quanto cabe de vontade?
De toda terra que ergue a natureza.
Exclusivo fazer.
A poesia que não finda.






landeira












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quinta-feira, outubro 25

Sorriso beijado

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Na entrada por onde se vai tantas vezes
Não se encontra, de repente, quem se viu
Se torna regresso simples de tão longe
De muitos dias atrás. E não viciam

Mas chega a outra vez de entrar
Com a embriagues da noite calando o ruido dos ventos
Sem olhar o caminho esperado
Até o olho que faz se perder no encontro
E beija o sorriso


Imensa vastidão de levar ao sonho
Tendo mais brilhos além do das estrelas
Na eternidade de quanto tempo estando ao teu lado
E dali não mais sair sozinho






 landeira











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