quarta-feira, junho 20

Duas sombras

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A outra me segue bem atrás dos meus olhos
Ente da luz que me enfrenta e me recupera
Deitando em minhas raízes
No meu abstrato
Entrando nessas águas e águas
Pra respirar
Entre os fios de minha pele
Entre o brilho dos nomes que trago
E entre o espaço adormecido de estrelas

Sabendo do meu eu
Me percorrendo mar sem fim



landeira











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O cio

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Não lembra dia
Mas nascem os sons e vem
Chegando de longe, flutuando sobre tudo
Despertando o espaço, agredindo o interior

O frio, o cio altera

Transtorna, transvia os lados
Corre de medo, de desejo
Sangra o chão, de costas expostas
Uiva a solidão; olha turvo, rachado
Detém de sair e ir. Saga ácida
Arrebata voraz a alma do fundo refúgio
É grito. Insistência rígida em cega sombra


E rasga a noite perdida e armada.





landeira










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segunda-feira, junho 18

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Qual ave também não para de voar?
Que eu?

Verdade.
Açoites à ilusão. O ronco dos sintomas.
Liberdade,
Eternidade alcançada.
Os pensamentos se guiam sempre solitários.
Não perduram até importar.
Em voltas e voltas.
Reverência, sabedoria e o silêncio,
Então a voz do tempo.
O momento reverte, envolve e se apaga.



Landeira






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sexta-feira, junho 1

Luto das Pedras


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Grito no sonho.
E ainda no escuro protetor,
Grito de novo acordado.

Tantas idades em reações.
O Passado. Dias seguindo contrários.
Que deixo as palavras nos dentes.
A vida é mais do quanto já se foi e pouco do que se quer ser.


Na teia do presente,
Tece ainda a saudade
Entre as ações acontecidas,
Entre o silêncio, o imóvel.
O invisível luto das pedras.
Desde quando imperceptível,
Até quando deixar de ser o mesmo.


Landeira














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segunda-feira, maio 21

Atrás

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Sentido de lugar vazio
A queixa bruta, sem argumento
Óbvio que participa das dores enfim
Um ritmo. Um canto que se deixa levar
Na chuva
Até quando passar
Aquele rastro guardado
Resto desnudo
Vergonha comum
No convívio da noite
O que não sonha a certeza
Profundo espaço vasto de solidão
Caminho mais antigo
De muros derrubados
Lentas lástimas esquecidas pelas pétalas
Se movem no chão, no peito
Nos golpes e nas curvas, no desejo de resposta
Janelas entreabertas e seus espaços de luz
Frestas onde o querer espia inseguro
Sinal de fracas flechas atiradas para atingir, para ferir
Ponto de começo de próximo dia, de dia inteiro
Lençóis brancos estendidos, imóveis
Na cor da memória abatida
Páginas mudas
Escritas de ecos



Landeira












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segunda-feira, maio 7

Embebedado

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Cansar o choro
Embebedado pelos olhos
Deitar também
Desabar confissões silenciosas
Em panos
Carga pesada
Lutos
Respirar um pouco
Tudo amor
A tristeza amor
A Solidão amor
Meus suspiros
Minhas águas
Atrás, as portas
E os papéis próximos a mim
E os copos cheios de ar
E eu cheio de faltas


Landeira.













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domingo, maio 6

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Quero que sopre

                 Forte

                         A intensão e o vento
                           Abriguem meus pardais
                       





Landeira.


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