terça-feira, agosto 7

Tardes no meu tempo

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Aos ventos que me sopraram canções
Melodias ofertadas ao tempo
E no peito recriando meus sentidos
Prazer bem vindo
Canto se fazendo
Tardes no meu tempo





landeira












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quarta-feira, agosto 1

O papel da verdade

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Vai se engolindo a verdade com menos temperos.
Real em essência e busca.
Com atenção.
Com pensamento.
De pé na fila.
Entre um bando de responsáveis.
Entre as modas por estação.
Com as patentes de presos políticos.
O preço do globo e números
Circenses ou teatrais, puramente instrumentais.
O cotidiano fim de semana,
Sempre no particípio.
Arte plástica.

Como ser mais de dois mil anos depois de Cristo e uns trinta a mais depois de Cleópatra.
Sem muito destaque para contribuição à memória.
É verdade agora e mais ou menos.


landeira










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sexta-feira, julho 13

Sem porquê

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Assisto
O pensamento
Identidade e invenção
Pôr de sol e ciclo
Luz do engano e certeza
Dormir lento fechando os olhos
Adeus e nuvem
Não voa
Te leva
Especial e sem porquê



landeira






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quinta-feira, junho 28

Mergulhado

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Um gole na garganta seca
Assumi o amor inteiro com a disposição de um mergulho
Sem ver altura, sem ter fobia, sem ter água, sem ter chão...
Era queda
Sem ter braços para pousar o fim do dia
Todo esse caminho era espera
Percorrido veloz no fundo dos olhos
Caía...

Então inteiro amando em meu coração
Acreditava sem medo.
Nem medo, nem nada... na espera
Atento aos lados, aberto aos sinais
Ao que não viesse de mim, nem já estivesse comigo
Devia chegar, teria de chegar
Devia acontecer... ser real
Mas até aquele limite era eu na espera

Fui só, fui calado,
Engoli de uma vez as sobras do desejo
Que já não alimentava nem ilusão
Pesavam essas pedras dentro de mim
Ventre, peito e garganta pesavam
Me empurrando contra o chão na espera
Escorregado entre os encontros

Horas de ontem até o chão
Fui tudo menos invencível
Na falta do querer verde e molhado
Seus olhos quando chegaram em saltos no escuro
Quando eu apenas precisava só de mim



landeira








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segunda-feira, junho 25

Em seis horas


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O peso dos ombros, a coluna ereta
Riso, óculos e chapéu
Combinados e prontos pra sair
A identidade pintada para poder pisar a calçada e cuspir na rua

Até terminei de escrever as falas
Mas eram tristes para o dia de hoje que enchi a cabeça de cores
Ausentando-me do sopro frágil do suspiro
Ausentando-me da saudade da presença

Enxergando nas mãos o interior
Revolvo os motivos
Os utensílios, os vícios
Ressignificando o que me toca com ou sem dor

A estação é a mesma, ainda não passou.




landeira










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Tuas Partes


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Quero a saudade.
É ela a tua impressão em mim de novo.
E sinto sozinho, as mágoas que trazem tuas outras partes.
São mágoas e as quero pra mim, mesmo sem minhas lágrimas assistidas por você.
São tuas partes e mesmo sem cheiro quero sim.
Como a lembrança que te traz ao dia de tua chegada.
Onde não era o lugar e nem o tempo que me dizia tua escolha.



landeira







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quarta-feira, junho 20

Duas sombras

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A outra me segue bem atrás dos meus olhos
Ente da luz que me enfrenta e me recupera
Deitando em minhas raízes
No meu abstrato
Entrando nessas águas e águas
Pra respirar
Entre os fios de minha pele
Entre o brilho dos nomes que trago
E entre o espaço adormecido de estrelas

Sabendo do meu eu
Me percorrendo mar sem fim



landeira











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