sexta-feira, novembro 18

Não precisar

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Ninguém hoje; nem os mais chegados ou os que recordo.
Interseções são interferências. E cabem hoje fora de mim apenas.
Estou cheio de tudo aqui. De colecionar, de visitar, de ver o pôr-do-sol a dois. Às cinco.
Hoje não.
Sirvo-me de um comprimido de “se cuide”, e quero sair só, e ficar aqui sem vento, rodeado de silêncio e dos fluxos do tempo que passem.
Com minhas roupas ao meu toque. À dispensa de qualquer compreensão.
Sem ter que atender chamados; olhar pra os lados.
Esperar. Esperar respostas. Não.
Participar sozinho do passado agora. A vírgula entre.
Não quero preparar mais o momento de chorar, a cama pra deitar...
E que tudo seja mais uma vez surpresa, mais ainda do que a vontade de prevenir.
Quero sim, mais de mim sem destino conhecido; sem resultados.
Me soltem as cordas, os loucos e seus venenos.
Vão para lá prender os seus umbigos e um bom dia mais cedo ou mais tarde.
Sou minhas decisões e estão todas suspensas.

Meu fôlego é quem respira.
Me vejo o que vejo florir.
E onde mato, como, beijo, e me molho é meu começo.
O fim é o meu fim.

                                                                      (Landeira)











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quinta-feira, novembro 17

Acho

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Achismos em bem dizer milagres
E em mãos, como em vento as árvores.
Som de voz.
Tom de nós. Cada um.
Pontes de outro fim.
Palavras, passos e
Pontes. Quando chega o primeiro ou o último dia.

                                                                    (Landeira)



















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quarta-feira, novembro 9

Nome de alma

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As cruzes penam sobre as atitudes; o nome pena com a alma.
Que não se leve a cruz, mas antes, que não se erre o nome.
Não viver a si é suicídio com direito a também querer ser feliz.
Querer ser a fantasia. Ser outra verdade.
O que não existe.
Fantasia não tem alma. A alma é que se mascara.
Vai Cambaleante. Sem natureza. Oca.
Errante nas intenções; cativa de qualquer bem das palavras que não calam e só contam sorte.
E se afasta tão longe, mascarada e sem asas, que o rastro deixado atrás se torna outro caminho para ser seguido.
Retorno.
O nome cai ali; na madrugada pouco acesa da memória.
Onde os passos tentam ajustar as pernas.
Onde não frutifica a saudade quando o passado não se quer ter.
Onde o tempo leva muito mais quando se é surpreendido sem ser a si mesmo.
Onde só restam lúgubres pensamentos em um coração vazio, quando sem chama.
De quem é o riso, o ego, ou a mentira sem o nome?
O nome pena com a alma, agora mais longe, trocando de máscara.

                                                                                         (Landeira)



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quarta-feira, novembro 2

Minha terra

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Chão e céu.
Minha terra toda é você. É areia.
Minha língua falada e cantada.
Meu deitar de bruços desarmado.
A varanda nos sopros do vento morno.
Onde sem sombra, existe a dúvida clara.
As visitas indiscretas dos arrepios. Teu riso.
Tudo perto demais do ouvido e onde o pensamento faz seu ninho e dali mesmo parte para voar.

                                                                                                             (Landeira)






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segunda-feira, outubro 31

Ando. Feliz.

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E hoje; feliz acredito no dia que vejo mais bonito.
No dia que criei asas e voei até o galho mais alto, que fosse toda a altura de minha vontade.
Quando acreditei nas letras que canto.
Nas lembranças que chegam quando divago na paz do vento.
Ando.

Se esses lugares no meu olhar estão no paraíso;
Nem sempre me sinto bem.
Hoje, feliz.

                                                                               (Landeira)



















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terça-feira, outubro 18

Guardo o adeus

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Enquanto guardo teu adeus
Meu olho se torna vidro e
Reflete a mim despido e distante
Caminhando soturno até onde posso apagar a luz e não ver

Como se todos os pássaros saíssem das minhas mãos
Entrassem no mesmo horizonte
Seguindo o sol até se irem com ele e
Não mais amanhecessem comigo

O mar agora é silencio
O coração não. Bate sozinho
Para mim apenas
Ignorando outro som; outro adeus
Até mesmo o fim da impressão
Aquela em que o mundo te lembra despedida

                                                     (Landeira)








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sexta-feira, outubro 14

Não, dito.

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E tudo diz não. Discordar é apenas a outra metade.
Minhas alegrias e sobressaltos vêm e são barrados na porta.
Observador, me guardo.
Adormeço em meus braços cruzados.
Sou eu comigo e no fundo as outras salas. Por todo lado, música, notícias, índios e idosos em atividades.
Tempos isolados nas suas questões que não sabem se já foram as do outro.
As decisões tomadas atrasam as que aguardam como o futuro espera enquanto não acontece.
E se nos pensamentos existe alguma determinação, que fique guardada lá; afinal, o acaso também existe.
Somos um e pouco nos representamos. Sabemos quem são todos melhor que nós.
Das metades que estão do lado de fora.
O que não aconteceu ou não chegou.
Tudo que existe no papel, no conto, na imagem pintada na tela.
Parte de tudo que não é além de possibilidade.
Parte do que fala mais de nós do que somos perfeitos.
E que me levam para além quando me calo depois que tudo diz não.

                                                                             (Landeira)















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