quinta-feira, julho 7

Segredo

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Eu secreto.
Acorda do nada.
Me cala quando me diz... Quando me digo.
Estrondo; barulho; ruído.
Me ensurdece e surdo escuto essa voz... E me mudo sem fala.
Me reconta pra mim. Me sofre. Me conclui versões.
Me mato por não duvidar.
Árvore sem fruto... Só sombra produz.
Nada me enxerga. Nem olhos brilhantes.
Existe vivo por não existir em outro; por nunca, nem por acaso, terem me dito.

                            (Landeira)





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segunda-feira, julho 4

Rio cor de rosa

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Meu ritmo espera.
De uma vez chega tua alma em repetições, se vendo passados, repassando passos. Se vendo castigo.
Entre tuas sombras a cor da tua vida se altera e me acelera em teu interior.
Corro sobre teu rastro de manchas. Riacho de rosas. 
Um choro desaguando um turbulento rio.

Teu ritmo é luta entre os teus equilíbrios.
Faz de você, ao meio, pura batalha.
Teu ritmo é mudança.
Te reconheces aos poucos sempre que acordas. Mudas.

Descanso é acordar o avesso. Despertar o outro lado de onde te encaras pesadelos.
Sendo descanso mais um desejo de, a si mesmo, não ver.
Vive outro sonho a tua realidade.

Reconhecido por tuas entidades, te ergues lado a lado montando paredes.
Tua prisão. Tuas faces. Tuas vezes.
São loucuras e se mostram você condenado por elas.
Medo, recalque, repressão.

Nem a morte é uma ameaça. O que sou é minha própria ameaça quando decido se amo mais a mim ou o meu apego.
Me enganam todas as falas do ego. Assim vejo nascer o dia.
Caminho revelado entre espinhos.
Vigilância incansável do espelho. Doer um riso que não convence primeiro a mim.
Levar as culpas para o sonho. Ofender a paz nas mãos de alguma ilusão.
E me descubro adormecido perto de um louco com o mesmo nome que o meu.

Eu era sonho. Desconstrução urgente do meu mundo.
Por mim mesmo, só respirava. Todo o resto era você.
Perdido no teu olho existo mudo esperando ouvir resposta.
Tendo a única fonte. Teu rio.

                            (Landeira)








foto: Cia de Dança do Teatro Alberto Maranhão.
(em destaque, bailarino Tházio Menezes)






Nota: Ao Amigo

Remonte o que se espera retirando as surpresas. Então surpreenda de novo.
Luz se guarda lembrada.
Se descamise quando suar a febre. Galope seus passos apressados em salvar seu dia do sufoco.
Diga o que quiser para os estáticos, afinal são apenas resto das causas. Vazios de tendências.


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sexta-feira, julho 1

Circo

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Nos acordes da sanfona se via as cores da lona do circo...
Todo o lugar era como uma pintura bonita em giz de cera.
Remontava uma afinidade antiga de brincadeira.
Mágica de dia feliz.

Dançava, sendo eu as mesmas cores do acorde da sanfona.
Sorria, e era eu as mesmas cores da lona do circo.
Brincando de fazer pedido de sonho impossível.
Confiante naquelas estrelas estampadas no céu logo acima de mim.

                            (Landeira)

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Meus ombros

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Percebi peso nos meus ombros.
Estavam ali indefinidos o tempo todo. Diabinho e anjinho.
Assim se encarando com peso e desdém.
Traem-se como íntimos. Interessam-se como inimigos.
Velhos conhecidos. Irmãos de mesma idade. Mesmo sexo.
Anjo sem harpa. Diabo sem tridente.
São morenos por parte de mim e me constroem por, em parte, não parecerem.
Juntos na estrada; juntos no quarto.
Os protagonistas do meu silêncio.
Os dois lados da surpresa.

                       
                            (Landeira)



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Re-Ter

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Vão-se essas pérolas de meu prazer. Raras concepções de momentos. 
Simplesmente por eu relaxar e crer que elas retornarão em outros ventos.

                             (Landeira)


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Ars

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"Art is a lie that tells the truth" 
Pablo Picasso






Quadro - La Gioconda, Leonardo Da Vinci.


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quinta-feira, junho 30

Fofoca filosófica

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“Ao que tem de ti em mim, serei atento. E ao que não tem, serei ainda mais atento.”


Refazer os caminhos de longe. “Pergaminhar” os territórios.
Seguir com o olho, a costa do outro enquanto vai.
Reparar a vida alheia. Reparar o quanto estamos vivos.

Ver uma vila em pleno qualquer dia.
Chegando o fim da tarde entre os portões que se avizinham.
Trazer a voz perto; dentro da roda formada.

- O vestido dela tem as cores do brinco de Estela.
- Julgo o Nino não ser o mesmo como outrora tenha sido.
- Repare que as pessoas juntas são a mesma em tempos diferentes.

Concordar no tocante da conversa e cantar risadas na prosa.
Discorre-se a pauta que, por conta, conta os casos mais que as contas do rosário esquecidas, mas firmemente seguradas entre as mãos, como em pleno qualquer dia...

                           (Landeira)













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