quarta-feira, julho 14

Com ciência

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Preciso frear o carro.
Chegou o momento de falar com você.
Só a consciência é quem vai seguir agora.

Vamos sair daqui dessa roupa. Crus.
Só assim que se pode lembrar o vento.
Como vai tocar meu corpo? (Havia esquecido essa intimidade).
Bem, pergunto pra minha inteligência estúpida, carente da atenção dos livros depois.

Agora te vejo meu eu que nunca nasceu, mas que sempre foi o miolo da coisa toda.
Venha pra fora! Saia do seu átrio! O mundo é só um cômodo.

O nascimento acontece uma vez da mesma forma que cada idade.
Ambos são puramente descobertas.
Vai ter de tocar nelas e às vezes vai sangrar.





Venha aprender a julgar o belo.
Partir corações, Discordar dos pais, e brigar com os amigos. Nessas horas o amor cuida de você.
É preciso existir e não se preocupe; você não será percebido.
Apenas pelas árvores do passeio e pela grama pisada.
Vão te olhar e ver uma máscara, estará bem disfarçado de si mesmo.

Você vai gostar, só não se acostume a gostar; lembre que não dá pra voltar quando a coisa toda começa. Vai ter que ver o fim acontecendo e pode causar certo incômodo.
Melhor ser cauteloso.

Praticamente é sempre assim: Subida. Tempo gera experiência e experiência eleva sempre. Oxigênio, por motivos óbvios. E água, muita água. 1litro e ½ ao dia no mínimo.
O resto também tem de sobra. Supérfluo não falta lá fora.

Ah... Posso procurar em algumas gavetas, são elas que guardam os segredos.
Deve ter algum método guia esquecido pra te ajudar.
Vou precisar ascender a luz. Dói, mas é só apertar um pouco os olhos e a vista vai acostumar.

Nossa! Quantos brinquedos egoístas colecionados com devoção, eu bem devia saber que aqui estaria propício a isso mesmo, mas também sei que não se vence a surpresa quando ela vem. Pelo menos gostei daquele ali, o palhaço traído de riso gratuito.

Dentro do cômodo entupido de tantos anos passados;
Parede, chão e teto são o que mais se tem de cansado.
Ali só a janela se renova e é isso que você nunca entendeu. Mas é porque vem de fora pra dentro. Logo tudo estará esclarecido.

Vê-se o mundo, mas não dá vontade de sair eu sei. No começo é assim.
Mas as suas lembranças estão lá viajando e rápido.
passando sempre. Sua história também está por lá e infelizmente vai precisar de ambas. Não se existe sem a própria história e lembranças.

Infelizmente não encontrei o guia, mas lembro que lá dizia pra deixar tudo rolar. Ou será que escutei alguém dizer isso? Enfim... De qualquer forma, assim tenho feito algumas vezes e acredito que valeria pra você também.





E quando acontecer alguma coisa procure só assistir.
Participar quase sempre é mais caro e nem sempre compensa. Enquanto não souber avaliar, assista. Não se pode desperdiçar quando não se sabe o que tem.

E sim. Vai ter sempre de esperar tudo; tanto a vez, quanto a véspera.
Engraçado nunca foi, mas dá pra achar a graça de repente.

Partir sempre obriga carregar muito e perder algo. Nada que impeça de atravessar os lados.
Vamos hoje, te acompanharei até na solidão.
Vamos hoje, mesmo eu não tendo dormido direito.
Não estou reclamando, mas desculpe se me tornar um pouco ausente pelo cansaço de algum momento; além do mais, o pensamento me chama a atenção pras coisas de lá do lado de fora.

Uma última coisa; grita! Dança! E corre sempre que puder; é um bom sinal pra encontrar seu rumo. Não se vai apenas caminhando e pra tudo isso também existe estrada. Segue, segue e segue mesmo que lhe falte a sorte.
Lembro bem que veio dela todo o motivo da tristeza do nosso palhaço traído. Ainda assim ele nunca deixou de sorrir. Penso que a felicidade dispensa a sorte. Ela é dona de si e voa livre.
Tive que aprender isso antes de vir aqui te buscar.









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quinta-feira, julho 1

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Acredite se quiser

Que...

"o Cavaleiro das luas e das estrelas
Abriu o céu, desceu e me ofertou
Um livro aberto na página brilhante
Que nesse instante uma poeira iluminada
me assustou
Falava de Andrômeda,
A dona da constelação do Escorpião,
Falou da outra estrela na ponta do Cruzeiro,
Falou das quatro luas
A nova, a que cresce, a cheia e a que diminui
Que a primeira, quando se esconde na escuridão,
é de mentira, pra nos tomar o coração
Me ensinou coisas que vi
E que nem são daqui





E, de repente, acordei com o ronco da trovoada"...











Gil e Milton




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quinta-feira, junho 17

Lua de São Jorge

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...nobre porcelana, sobre a seda azul.




Caetano V.




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quarta-feira, junho 9

Hogar

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Sabe quando a casa se torna parte de nós?
Paredes mudas e móveis imóveis guardam um segredo em cada canto.
A janela que oferece seu apoio em momentos de solidão.

Saudade dela.





Tristezas afugentadas no chuveiro. Pecados confessados no espelho. Filmes no inverno.
Tudo ali é você, é seu. Guardado. Dentro. Seu lar.
É parte e é todo você.
Entre idas e vindas é ali que se está ligado. O endereço é nome.
Penso numa caixa de música onde cabem suas coleções.
Onde estão os tesouros e castelos descobertos no caminho.







Entre as visitas, telefonemas, refeições e cochilos, se exerce uma crença sem desculpas.

Sem qualquer tipo de mágica ou milagre, se materializa a relevância do conforto, a liberdade imensa de descansar o corpo nu e de deixar a alma a perambular. Sente-se dentro de si.

Estar fora do jogo, longe das atenções e ocupado consigo. Quanta honestidade ocupa um abrigo.














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domingo, maio 30

Zezé Sussuarana

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Faz três sumana
Que na festa de Sant'Ana
O Zezé Sussuarana
Me chamou pra conversar
Dessa bocada
Nóis saímo pela estrada
Ninguém não dizia nada
Fomo andando devagar

A noite veio
O caminho estava em meio
Eu tive aquele arreceio
Que alguém nos pudesse ver
Eu quis dizer
Sussuarana, vamo imbora
Mas Virgem Nossa Senhora
Cadê boca pra dizer

Mais adiante
Do mundo, já bem distante
Nóis paremo um instante
Predemo a suspiração
Envergonhado
Ele partiu para o meu lado
Ó Virgem dos meus pecados
Me dê a absorvição

Foi coisa feita
Foi mandinga, foi maleita
Que nunca mais indireita
Que nos botaram, é capaz
Sussuarana
Meu coração não me engana
Vai fazer cinco sumana
Tu não volta nunca mais




composição: Heckel Tavares - Luiz Peixoto


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quinta-feira, maio 27

Escrava cansada

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Só sente a liberdade que tem dentro do peito.
Não escolhe sua terra. Nem sua cor.
Não escolhe o que sente.
Conformação, desesperança, raiva, fome, rebeldia.
A vida a leva sem escolhas.

Largou sua alma esquecida, esquecida entre alguns lençóis.

Desarmada de atitudes severas, subjugada a vaidades alheias.
Não dorme sem tristeza.
Não entende as indiferenças...
Nem as diferenças...



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sábado, maio 22

BICICLETA de krebes.

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Roda Dianteira:

Glicose
Glicose 6 fosfato
Frutose 6 fosfato
Frutose 1,6 bifosfato
Diidroxicetona-fosfato – gliceraldeido 3 fosfato
1,3 bifosfoglicerato
3 fosfoglicerato
2 fosfoglicerato
2 fosfoenolpiruvato
Piruvato
Acetil coA


Roda Traseira:

Citrato
Aconitato
Isocitrato
α cetoglutarato
siccinil coA
succinato
fumarato
malato
oxalacetato


- e a vida segue pedalando...








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