sexta-feira, junho 1

Luto das Pedras


.



Grito no sonho.
E ainda no escuro protetor,
Grito de novo acordado.

Tantas idades em reações.
O Passado. Dias seguindo contrários.
Que deixo as palavras nos dentes.
A vida é mais do quanto já se foi e pouco do que se quer ser.


Na teia do presente,
Tece ainda a saudade
Entre as ações acontecidas,
Entre o silêncio, o imóvel.
O invisível luto das pedras.
Desde quando imperceptível,
Até quando deixar de ser o mesmo.


Landeira














.

segunda-feira, maio 21

Atrás

.





Sentido de lugar vazio
A queixa bruta, sem argumento
Óbvio que participa das dores enfim
Um ritmo. Um canto que se deixa levar
Na chuva
Até quando passar
Aquele rastro guardado
Resto desnudo
Vergonha comum
No convívio da noite
O que não sonha a certeza
Profundo espaço vasto de solidão
Caminho mais antigo
De muros derrubados
Lentas lástimas esquecidas pelas pétalas
Se movem no chão, no peito
Nos golpes e nas curvas, no desejo de resposta
Janelas entreabertas e seus espaços de luz
Frestas onde o querer espia inseguro
Sinal de fracas flechas atiradas para atingir, para ferir
Ponto de começo de próximo dia, de dia inteiro
Lençóis brancos estendidos, imóveis
Na cor da memória abatida
Páginas mudas
Escritas de ecos



Landeira












.

segunda-feira, maio 7

Embebedado

.




Cansar o choro
Embebedado pelos olhos
Deitar também
Desabar confissões silenciosas
Em panos
Carga pesada
Lutos
Respirar um pouco
Tudo amor
A tristeza amor
A Solidão amor
Meus suspiros
Minhas águas
Atrás, as portas
E os papéis próximos a mim
E os copos cheios de ar
E eu cheio de faltas


Landeira.













.



domingo, maio 6

.




Quero que sopre

                 Forte

                         A intensão e o vento
                           Abriguem meus pardais
                       





Landeira.


.

quinta-feira, abril 26

Duo


.



Respirar as intenções no ventre.
Buscar o corpo, e nas mãos encontrar o outro.
Outro. Outro.
Entes reflexos.
Mudança em caminho comum.
Energia que se faz da fantasia e de acreditar.
E se entrega a identidade posta.


(Landeira)















.

quinta-feira, abril 19

Homo


.




Enquanto vagam perenes os traços nas mãos
Não morre o olhar na espera
Morre o animal fugaz ao sol na campina
Seguindo as curvas angulosas do vento
Em louvor a sutileza...
Voando a força; a liberdade...
Servindo os sons; os cantos...
Pairando a inspiração; as asas...

Árvore sapiente
Ter nos galhos seus frutos; o que conta...
Brotar de mãe
Sem sonhar ser mais do que talhada alma...


O seio guardado. Íntimo quarto
Incompleto de dores; de aspectos cromáticos
Surdo de passado...

Singular de tanto a si
Se sentir, se deter
Ser... Só
Dignidade agarrada aos braços
Homem a se saber...

                                                      (Landeira)



















Artista - Heather Jansch





.

domingo, abril 1

Canto

.









Bastando-se só e se experimenta a primeira verdade.
A que ainda não se estendeu para os lados. Está contida em seu formato.
Em parte, um lugar desconhecido e em parte, zona de conforto.
O tronco expansivo por toda a vida. Despido de anéis em anéis até o centro; a voz; o movimento.
Dançar leve, chamar seu nome, respirar sem importância.
Jogar o corpo pra ver-se voar.
Olhar as mãos e ter resposta. Trazidas de longe; do alto; de depois de alcançar; sentindo mais do que se é.
E que canta criando a atmosfera do seu mundo; ou chama, para vir de dentro, o próprio eu.

                                                                                                                                    (Landeira)
                                                                                                                                                 









Artista - Tomaz Sanchez, "Aislarse"




.