sexta-feira, outubro 25

Mordida

Pela primeira vez esqueci
e de tudo não restou nada mais
estava livre, estava caminhando só eu
leve de leveza por nada carregar
cantar apenas e rir do choro que me faltou
faltou sem sentido
faltou por prazer demais chegado das músicas que ouço, das presenças que me alegram como vento e como sol...
dançava alcançando os desejos esticados no tempo e trazia tudo à boca...
Provava uma parte bem gostosa da vida.





terça-feira, outubro 8

Saltos de luz



O que foi energia pura
Hoje alcança maiores distâncias
Cada tempo e passado que surgem
Tornam o valor de existir ainda mais precioso
Vamos sendo parte de tudo
Eternos e transformantes
Tão grandioso é o que foi pura energia e trouxe-nos aqui
Tão divino maravilhoso
E todo esse deus desconhecido
Se permite estar passando despercebido
Quando temos o que ainda é mistério

E enquanto somos mistério
Nunca e nada podem ser destino
Ou saltaremos de novo
Talvez de alguma altura  maior sabendo ou não voar



landeira








Visto





Eu visto as minhas companhias
as visto de mim
arrumo-as de estar
por estar com elas
retiro-me os panos, as penas
mudamos nossas imagens
enquanto as visto
me dispo





landeira









quarta-feira, julho 31

Vida Bruta




Chega o sono do meu dia. Chega a hora de acordar
Acontece na degustação do corpo, na cura das reflexões
Nos fios do vento, o que contorna os corpos, o que sufoca de paixão
Carrega a fumaça, a espera das cinzas,a liberdade de todas as coisas

Como gostaria de me refoliar como o véu das árvores
Sem o temor pesado de padecer
Se arrastando sem diminuir
Os ombros não entristecendo a cada vez que se vira de costa
Mas mesmo os que voam não pecam menos ou mais na condição de viver
Depender de uma lei é ser levado pendurado sem escapatória
Pano e carne
Assim é
Cheios de segredos os baús trancados são utopia
Sonham esses segredos serem livres pra liberdade
Livres de existir






















sexta-feira, julho 5

Vê-se

Sentir e saber que poderia partir
Sair daqui como um eco sem fim
E deixar
Deixar cair o sonho
Cair das cinzas
Da água e do ar pueril
Deixar os dias, a sorte e os passos
 
Pelo tempo da passagem
O fim da corrente arrastada

Faltaria a mesmice, o lago parado
Faltaria ainda descobrir-se
O amor se fazendo da vida
Da vontade de voar
Faltaria o amor, a mentira e a vontade de voar
 
Terminar como se está, sem acabar
Nem mais ter valor qualquer nome ou qualquer dor




quarta-feira, março 27

Fascínio

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Os olhos que vejo por perto
Suas verdades realizam
Temo estar fora delas
Ilhado nas minhas
Olhando para as mãos
Abrigado em sua concretude
Vendo o mundo
O fascínio

Sinto o chão
Anoiteço em suas escadas
Descalço
Tantas pedrinhas miúdas
Tantos tempos assintindo o dia


Os que estão do lado
Suas verdades me espantam
E sinto paixões
Sinto paixões







landeira









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quinta-feira, março 14

À base de vento



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O vento eleva minha estima.
Dá leveza ao meu corpo.
Veste minhas curvas no sol; na lua.
Abre as minhas sombras pra libertar os pensamentos.
Encaro os sonhos jogados pra trás, afundados no tempo.
Os rodopio no piscar dos olhos e sorrio.
Rio. De braços abertos vou com eles.
E o seguem as borboletas. Também o meu coração.
Assim voa o dia livre.
Com liberdade alcança o mar
O caminho de sons.
O que me diz o vento:
- Traz felicidade o sonho aberto ao mar.





landeira















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