quarta-feira, março 27

Fascínio

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Os olhos que vejo por perto
Suas verdades realizam
Temo estar fora delas
Ilhado nas minhas
Olhando para as mãos
Abrigado em sua concretude
Vendo o mundo
O fascínio

Sinto o chão
Anoiteço em suas escadas
Descalço
Tantas pedrinhas miúdas
Tantos tempos assintindo o dia


Os que estão do lado
Suas verdades me espantam
E sinto paixões
Sinto paixões







landeira









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quinta-feira, março 14

À base de vento



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O vento eleva minha estima.
Dá leveza ao meu corpo.
Veste minhas curvas no sol; na lua.
Abre as minhas sombras pra libertar os pensamentos.
Encaro os sonhos jogados pra trás, afundados no tempo.
Os rodopio no piscar dos olhos e sorrio.
Rio. De braços abertos vou com eles.
E o seguem as borboletas. Também o meu coração.
Assim voa o dia livre.
Com liberdade alcança o mar
O caminho de sons.
O que me diz o vento:
- Traz felicidade o sonho aberto ao mar.





landeira















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sexta-feira, fevereiro 1

Considerações inúteis

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Por tudo que sentimos estão os sustos
os surtos estão quando queremos sentir
e parece que ser pessoa é correr distante de parecer com alguém
só as tristezas e sinas se assemelham eficazmente
felicidade não exige tanto e nem faz doer
é mais uma atitude egoísta de suprir o querer
ser pessoa é não ser nada que se deva considerar muito mais que a si
e se pauta o universo ao redor com precisão e autonomia
e é normal tudo dar errado, e é o caos uma justificativa plena
tentar faz diferença só pra consciência e pode ou não trazer sucesso mas só cabe um de cada vez
bom mesmo é pescar o que se consegue
seja peixe seja bota
tudo serve de arma, de comida ou de luto
compartilhar pode trazer perdas
compreender pode ser um problema pior para o que não está na situação
energia não alcança os valores de nada, interessante é comer
e melhor ainda que seja algo gratuito
gratidão nunca nasce em olhos que enxergam
e eu realmente não entendo nada disso





 landeira









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domingo, janeiro 27

Meu e teu

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Meu corpo nas suas mãos
seu semblante intenso de ainda procurar
nunca achar
a presença de minha alma flutuante
Meu corpo em seu resgate
sua mão é firme
não me escapo
preso a mim, seguro pelo chão
batida terra árida
espera chuva e não teu céu
espalhado em mim e em ti

Meu corpo em tua mão não toca os lábios
não sente o deserto vibrante do teu coração
grande carga quente
que me impede e agrava teu desejo de passar por mim
 
 landeira
 
 
 
 
 .

Ai

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Mastigo cada dia
Da reza musical
Até me rasgar
Fogo demais enxendo meu canto
Sem se saber
Fogo demais a curar a ilusão
Desatino comendo cada representação da realidade
Pedaços louvados nas penas ou dormidos
No partido tempo, no vindo tempo
Sentido cru





landeira
















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sexta-feira, janeiro 18

Percorrendo

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Ombros vestindo cabide
pendurada altivez cabisbaixa
atmosfera musical de deixar
tudo se escorrendo
dedos nos dedos
sentindo águas

e águas sempre correndo
uma visita debruçada de águas aos lodos
acelera as águas

quando estas não se empurram mais correntes

ardido é o coração e se empurra assim
e se vai levado de vontade
ah, se fosse além de filho
se fosse além de um rei

seria o verso tímido de cantar e então rezado
e todos seus sentidos praticados
gota a gota
até a ponta dos pés
desde os ombros pendurados






 landeira




 














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terça-feira, janeiro 15

Fingir

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Penso, penso, penso
assisto os olhos de quem me olha
penso igual e penso diferente
assisto a surpresa de quem me vê
palavras dos olhos são as que penso
sem saber quando reais
penso me atraindo para saltar
de cabeça sem sonho
batendo duro na quina
sem inventar, sem fingir




landeira













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