quarta-feira, fevereiro 15

A cortina

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Quero a cortina dos meus olhos
O centro de ser livre
Palco escuro
O meu lugar mais bem vindo
Grito dentro da dor
A causa, a língua

Afora me trai a luz
Viola os meus argumentos
E correm de medo os conselhos soltos em multidão
Querem ser verdade; algum propósito
Se proteger em quem lhes caiba
Se anular nas chances imperdíveis

Mas aqui estou mais cedo ainda
Detrás das cortinas dos meus olhos
Ouvindo toda barulheira alimentando aplausos
Em qualidade pobre de almas
Gritos violentos fora da dor
Risos em falsetes
Escândalos sem crise

Não sou eu assim
Ainda quero estar aqui
Venho daqui
A arte primeira
O meu êxito
Não me penso transmitir
Hoje ainda quero estar aqui

                                          (Landeira)





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terça-feira, fevereiro 7

Antigua Mirada

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Me desperté
Cielos frios
Sombras de piedra derramada en la lluvia
Mis engaños, una otra lengua
Ruinas de ahora hasta siempre
Miradas desde la luna
Miradas desde muy dentro de mi


landeira



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quarta-feira, janeiro 18

Inocência

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Depois de tudo revelado até a saudade se perde
Engano e verdade sendo a mesma dentro dele
Ilegítimo por ter se valido como igual
Igual antes de traído
Aparências camufladas e cúmplices
Não lhe interessam os erros depois da escolha feita
Depois de descobrir ser a sombra
Tendo apontado às costas o canhão de luz

E o olho não enxerga atrás

Desdobra o lamento de ter todo falso tesouro reluzindo nas mãos
Como choro na canção onde entre os dedos estão apenas cordas
E se pergunta quantas vezes terá de renascer nesta mesma hora
Quando sozinho esteve, cantou e ardeu em paixões de sua parte inteiro
Quando inteiro o seu mundo não foi nem metade pra ele

                                                                                   (Landeira)


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terça-feira, janeiro 10

Motivos

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Parto do ponto que preciso então
Nem mar
Nem barulho de chuva
Nem toque
Só corpo, alma e vontades até não escolhidas
Luz existindo em meus olhos fechados
Só o caminho

Não sei do que faz ser humano
Nem do que faz ser triste
Os motivos são valores exclusivos em toda natureza
Apenas são inteiros e vão cabendo e sobrando
Até o momento que anseio... Que creio
Entre flores desabrochando e pétalas caindo

                                                                            (Landeira)



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quinta-feira, dezembro 29

Mesmo tom

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O canto flechado Ferido Dito

Cativo às trancas do cio

A terminar o giro Os toques

Perdido Sem medo

Futuro Eternidade enfim

Ser longo

Saudade tão alta Silêncio

O mesmo tom. O mesmo tom.


                                                (Landeira)












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quinta-feira, dezembro 15

Equívocos

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Reflexos de onde se espera checar a própria imagem.
Vidros, olhos e espelhos d’água.
Coletivos. Reputação.
Em razões consideráveis ou inquestionáveis repercuti um longo caminho até serem estabelecidas.
Recebidas apenas pelo que se vê.
Na tolerância dos respeitos cegos.
Quem as percebe não sabe ao certo se haverá de se repensar, ou se, se descortinarão os acertos.

                                                                                                         (Landeira)






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Veias

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Espanto de acordar
Nascimento machucado
Arrancado da ilusão
Veias encharcadas de vícios
O grito inteiro da pele
Arrepio riscado nas entranhas
A energia nervosa
Cacos, talhos
Garganta varada em tosses
Ranhuras, pontas
Lâmina do olhar perfurante
Sangue
Sangue
Sangue
Partes e sobras de toda realidade
Das mãos secas e do coração
Das mãos cheias e do coração

                                               (Landeira)










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